Milhões de pessoas se perguntam (ou pesquisam no Google) todas as noites: “Afinal, roncar tem cura?”. Se você está lendo este texto, provavelmente está em busca de uma resposta definitiva para acabar com o barulho que atrapalha o seu sono e o de quem dorme ao seu lado.
A internet está cheia de promessas milagrosas, desde sprays até anéis magnéticos que prometem silêncio instantâneo. Mas, na medicina do sono, a honestidade é fundamental.
A resposta curta é: depende. A “cura” do ronco está totalmente ligada à “causa” do ronco. Para algumas pessoas, mudanças simples resolvem o problema para sempre. Para outras, o ronco é sintoma de uma condição crônica que exige controle, e não cura.
Neste artigo, vamos explicar essa diferença de forma clara e mostrar qual é o tratamento real e eficaz para cada cenário.
Cenário 1: O Ronco “Curável” – Fatores de Estilo de Vida

Existem situações em que o ronco é circunstancial. Ele não é causado por uma doença ou uma falha grave na anatomia, mas sim por hábitos ou fatores externos que estreitam a garganta temporariamente.
Nestes casos, se você remove a causa, você remove o efeito. Ou seja, o ronco é “curado”.
- Perda de Peso: O ganho de peso é uma das causas mais comuns do ronco. A gordura acumulada no pescoço pressiona a garganta. Se você começou a roncar após ganhar alguns quilos, emagrecer pode, sim, fazer o ronco desaparecer completamente.
- Redução do Álcool: O álcool relaxa excessivamente os músculos da garganta. Se você só ronca nas noites em que bebe, a cura é simples: evitar o consumo de bebidas alcoólicas, especialmente perto da hora de dormir.
- Tratamento de Alergias: Se o seu nariz vive entupido por rinite ou sinusite, você é forçado a respirar pela boca, o que gera o ronco. Tratar a alergia e liberar as narinas pode ser a solução definitiva para o silêncio.
Cenário 2: O Ronco “Tratável” – Quando a Causa é a Apneia do Sono
Aqui entramos no cenário mais comum para quem busca ajuda médica. Quando o ronco é alto, persistente e vem acompanhado de pausas na respiração, a causa geralmente é a Apneia Obstrutiva do Sono (AOS).
Neste caso, precisamos mudar a palavra “cura” para “tratamento”.
Pense na apneia como pensamos na hipertensão (pressão alta) ou no diabetes. Não existe uma pílula mágica que você toma uma vez e nunca mais tem o problema. A apneia é uma condição crônica relacionada à anatomia da sua via aérea e ao funcionamento do seu sistema nervoso durante o sono.
Portanto, para a apneia, o objetivo não é uma cura definitiva que dispense cuidados, mas sim um tratamento contínuo e eficaz que elimine os sintomas e proteja sua saúde.
A Solução Mais Eficaz: O Tratamento que Funciona como uma “Cura” Noturna
Se não há uma cura mágica para a apneia, existe alguma forma de dormir em silêncio total? Sim.
O tratamento padrão-ouro para a apneia do sono é o CPAP (Pressão Positiva Contínua nas Vias Aéreas). Embora ele não cure a anatomia da sua garganta (se você parar de usar, o ronco volta), ele funciona como uma “cura funcional” todas as noites.
É como usar óculos. Os óculos não curam a miopia — se você tirá-los, volta a enxergar embaçado. Mas, enquanto você está com eles, sua visão é perfeita, 100% corrigida.
O CPAP faz exatamente isso pelo seu sono. Ele cria um fluxo de ar que mantém a garganta aberta. Enquanto você usa o aparelho:
- O ronco desaparece completamente (eficácia de quase 100%).
- As paradas respiratórias cessam.
- O risco cardíaco diminui.
- Você acorda descansado.
Para quem sofre com o ronco grave, o CPAP é a garantia de que o problema está resolvido durante o sono, trazendo paz para o relacionamento e segurança para a saúde.
Comparando com Outras Opções: Cirurgia e Aparelhos Orais

Muitos pacientes perguntam sobre cirurgias, buscando uma solução definitiva que dispense o uso de aparelhos. “Não posso operar e resolver isso de vez?”.
Existem, sim, cirurgias para o ronco (como a uvulopalatofaringoplastia) e aparelhos intraorais (que avançam a mandíbula). Porém, é preciso cautela:
- Cirurgias: São invasivas, a recuperação pode ser dolorosa e, o mais importante, a taxa de sucesso não é de 100%. Com o passar dos anos e o envelhecimento dos tecidos, o ronco pode voltar.
- Aparelhos Intraorais: Funcionam bem para ronco leve, mas têm eficácia limitada em casos de apneia moderada a grave.
Por isso, o CPAP continua sendo a recomendação número um dos médicos: ele é previsível, não invasivo e sua eficácia é garantida quando usado corretamente.
Conclusão: A Resposta Final – Cura ou Controle Eficaz?
Respondendo à pergunta inicial: Roncar tem cura?
Se for um ronco causado por hábitos, sim. Se for causado pela apneia do sono, ele tem controle total.
E, na prática, o resultado é o mesmo: o silêncio no quarto e a restauração da sua saúde. Não deixe que a busca por uma “cura milagrosa” impeça você de encontrar o tratamento que realmente funciona.
O primeiro passo é sempre o diagnóstico. Procure um médico do sono, faça a polissonografia e descubra a causa do seu ronco. Seja através de uma mudança de vida ou do uso da tecnologia do CPAP, noites tranquilas estão ao seu alcance.
Perguntas Frequentes (FAQ)
1. Existe remédio para curar o ronco?
Não existe nenhum medicamento (comprimido) comprovado cientificamente que cure a apneia do sono ou o ronco de origem faríngea. Cuidado com propagandas enganosas.
2. Se eu emagrecer, paro de usar o CPAP?
É possível. Em alguns casos, a perda significativa de peso reduz tanto o tecido gorduroso do pescoço que a apneia diminui ou desaparece. Porém, isso deve ser confirmado com um novo exame de polissonografia antes de largar o tratamento.
3. O ronco volta se eu parar de usar o CPAP?
Sim. Como a apneia é uma obstrução física, se você dormir sem o CPAP, a garganta voltará a fechar e o ronco retornará na mesma noite.
4. Cirurgia a laser resolve o ronco?
Pode ajudar em casos selecionados de ronco primário (vibração do palato), mas raramente é uma cura definitiva para a apneia do sono. A avaliação com um cirurgião otorrinolaringologista é necessária.
5. Dormir de lado cura o ronco?
Para quem tem “ronco posicional” (que só acontece de barriga para cima), dormir de lado pode resolver o problema (a chamada terapia posicional). Mas, para quem tem apneia grave, o bloqueio acontece em qualquer posição.
